Blog de Formação
Misericórdia



O papa Francisco, ao proclamar 2016 o ano santo da misericórdia, convida-nos a uma reflexão e a uma prática da misericórdia. De fato, de nada adiantam belas e profundas reflexões se estas não conduzem a práticas concretas, a transformações de comportamentos, a adoção de novas maneiras de relacionamentos que dignifiquem a vida das pessoas. O próprio papa nos alerta: “a misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade concreta” (Misericordiae Vultus = MV).
O tema é amplo. Por isso, limitar-nos-emos a considerá-lo apenas sob o enfoque da vida fraterna franciscana. Buscaremos primeiramente uma compreensão da misericórdia a partir do evangelho; depois, situá-la-emos dentro da espiritualidade franciscana.

a)      Ao abordarmos o tema da misericórdia, penetramos num ponto axial e característico da mensagem e da prática de Jesus de Nazaré. Não é ela o núcleo da parábola da ovelha desgarrada (Lc 15,4-7), da dracma perdida (Lc 15,8-10), da do filho pródigo (Lc 4,11-31) e do dever de perdoar setenta vezes sete (Mt 18,21-22)? Se a lei do talião (Ex 21,24; cf. Mt 5,38) foi um abrandamento da lei de Lamec (Gn 4,23-24), não é a misericórdia cristã e superação definitiva da lei de Lamec e da lei do talião? Não é misericórdia a justiça dos discípulos de Cristo, a qual excede a justiça dos fariseus e escribas e os torna aptos a entrarem no Reino dos Céus (Mt 5,20)?
Coerente com sua mensagem, a prática de Jesus constitui a própria presença da misericórdia do Pai entre os homens não somente em episódios como o da mulher adúltera (Jo 8,1-11) e o da mulher que lavou os pés dele com suas lágrimas (Mt 26,6-13), mas principalmente na proximidade dele junto aos pecadores e gente de baixa condição social. Ele, sem qualquer sombra de discriminação, costumava comer na casa dos pecadores, o que despertava constantes e severas críticas por parte dos fariseus e escribas (cf. Mt 9,10-13; Lc 5, 29-32; 19,7). Jesus de Nazaré mostrava com sua prática que ele era a encarnação da misericórdia do Pai. Ou como diz o papa Francisco, parafraseando Santo Antônio: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”; “ela se revela como dimensão fundamental da missão de Jesus”; em Jesus chegou o “bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós” (MV).
O enfrentamento entre Jesus, de um lado, e escribas e fariseus, de outro, traduzia o conflito entre a misericórdia e a lei. Mentalidades opostas. Enquanto a lei se preocupa com uma justiça retributiva (“paga-me o que me deves {Mt 18,28}), a misericórdia prima pela generosidade (“Eu te perdoei toda a tua dívida..., não devias também ter misericórdia de teu companheiro como eu tive de ti?” {Mt 18,32-33}).
A lei condena e impõe punições. A mulher adúltera, segundo a lei, já estava condenada, devia ser apedrejada. Jesus não a condena e não lhe impõe nenhuma punição. Nas parábolas sobre a misericórdia está completamente ausente a mínima ideia de punição ou de algo que a sugira. O filho pródigo não recebeu absolutamente nenhuma punição por parte do pai. Pelo contrário, foi recebido com festas. Já o filho mais velho, símbolo da mentalidade, achava que seu irmão devia receber uma exemplar punição.
Aliás, a esse propósito, não são os castigos, as sanções, as punições, os corretivos, as penitências que restauram a dignidade da pessoa que peca, mas a misericórdia. Ela é o linimento para as feridas interiores do pecador. Cura a partir de dentro. Faz ver ao pecador que sua dignidade não está perdida, mas pode ser recuperada.
Curiosamente, o Direito Canônico (CIC), entre sete livros que o compõem, dedica um (o sexto) especificamente ao assunto das punições (De delictis et poenis). São 89 cânones (de 1311 a 1399) em que está absolutamente ausente a palavra “misericórdia”. Aliás, em todo o CIC o termo “misericórdia” só se encontra duas vezes. Uma vez, para indicar as “obras de misericórdia” de vários institutos de vida consagrada can. 676), expressão hoje equivalente a “obras sociais”; outra vez, ao tratar do sacramento da penitência, lembra ao sacerdote que ele é ministro da misericórdia de Deus (can. 978). Um termo, portanto, muito pouco usado, uma vez que faz parte do núcleo essencial do evangelho.
Sendo Jesus a própria encarnação da misericórdia do Pai, ele convida seus seguidores a serem semelhantes ao Pai. “Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, para não serdes julgados; não condeneis, para não serdes condenados; perdoai, e vos será perdoado” (Lc 6, 36-37).

b)      Francisco sempre foi um homem prático. Também no que se refere à misericórdia. Em seu Testamento, ele usa uma expressão curiosa: “facere misericordiam” (= “fazer misericórdia”) (cf. Test. 2). A nova tradução das Fontes Franciscanas optou por traduzir literalmente esta expressão, para manter a força dela, que está exatamente no fazer, na prática.
A Carta a um Ministro é brevíssimo tratado sobre a misericórdia. Embora breve, ela toca na essência da misericórdia. Nesta carta, ele aborda casos concretos. Um ministro provincial escreveu a Francisco e lhe manifestou oralmente sua dificuldade nas relações fraternas, certamente reclamando de um irmão que cometia sempre os mesmos erros na fraternidade e era resistente à conversão. Francisco responde-lhe: “Não haja no mundo irmão que pecar, o quanto puder pecar, que, após ter visto teus olhos, nunca se afaste sem a tua misericórdia, caso buscar misericórdia. Se não buscar misericórdia, pergunta-lhe se quer (obter) misericórdia. E se depois ele pecar mil vezes diante de teus olhos, ama-o mais do que a mim para trazê-lo ao Senhor; e tenhas sempre misericórdia desses irmãos” (Mn 9-11).
Depois dessa premissa, Francisco indica atitudes concretas que traduzem a misericórdia , tais como evitar a maledicência e a detração, os comentários fofoqueiros dentro e fora da fraternidade, o publicar ou fazer lembrar a cada momento o pecado do irmão: “E todos os irmãos que souberem que ele pecou não lhe cause vergonha nem detração, mas tenham para com ele grande misericórdia e mantenham muito oculto o pecado de seu irmão; pois não são os que têm saúde que necessitam médico, mas os doentes (Mt 9,12)... E o custódio trate-o misericordiosamente, como ele próprio gostaria de ser tratado, se estivesse em situação semelhante (Mn 15, 17).
Ainda na tentativa de exemplificar concretamente a misericórdia, em outro escrito ele faz um apelo a todos “para não se perturbarem nem se irritarem por causa do pecado ou do mal do outro” (RnB 4, 7a; cf. RB, 7,4). Para ele, todas estas atitudes contra misericórdia são maneiras diferenciadas de participar ou de apropriar-se do pecado do irmão. É a maneira sutil usada pelo demônio para corromper a muitos pelo pecado de um só (cf. RnB 4,7b).
Depois de alertar os irmãos para evitarem as atitudes contrárias à misericórdia, ele os adverte a ajudarem “espiritualmente aquele que pecou” (RnB 4,8). Aliás, ao evitar as atitudes contrárias à misericórdia, já se está ajudando positivamente o irmão que pecou.
Na Regra Bulada, ao tratar dos irmãos que pecam mortalmente, ele introduz um elemento diferente: a penitência a ser-lhes imposta. Francisco estava condicionado por uma época em que a penitência era considerada caminho de santificação. Não conseguiu desvencilhar-se totalmente deste modo de pensar, até porque era a tradição e costume da Igreja. Mas parece que, quando fala em impor penitência ao irmão pecador, entra interiormente em conflito com a sua concepção de misericórdia. Acaba prevalecendo a misericórdia: “Os ministros, no entanto, se são presbíteros, com misericórdia lhes imponham a penitência” (RB 7,3).
Francisco conhece a fraqueza do ser humano e a realidade do pecado. Ele sabe que na vida fraterna, às vezes, temos dificuldades em suportar as imperfeições, as fraquezas e pecado do outro. Às vezes, a linguagem com que tratamos as pessoas fragilizadas é ríspida, cheia de frieza, de sarcasmo, de veneno, sem levar em conta a sensibilidade delas. Daí a importância da misericórdia dentro do projeto evangélico de vida em fraternidade. Fofocas, comentários do pecado do irmão dentro e fora da fraternidade não somente indignificam o irmão, mas arrebentam a vida fraterna. Sem misericórdia, fragmenta-se, ou melhor, pulveriza-se a vida em fraternidade. A misericórdia, ao contrário, dignifica a pessoa e restaura a fraternidade. Não pode existir vida fraterna sem misericórdia.
Como conclusão, citamos, direcionando à vida fraterna, as palavras do papa dirigidas a todos os sofredores: “Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença!... A Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas. Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, no hábito rotineiro que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os nossos olhos para ver... as feridas de tantos irmãos e irmãs... privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda” (MV).                                                     
                                                   
                                                                                         Frei Celso Márcio Teixeira, OFM                                                  


          
     No último dia 20 de novembro de 2016 a Igreja celebrou, Cristo Rei do Universo encerrando assim o ano Litúrgico e início do novo ano. E nesse sentido temos o tempo do Advento, muitos podem pensar: “mas refletir de novo o advento para quê?”, é pode parecer redundante, porém esse nos faz refletir. Vejam como Frei Régis Daher OFM define o mesmo: “O Advento apresenta sempre a tríplice ‘vinda’ de Cristo: Cristo veio, Cristo vem, Cristo virá (ontem, hoje e sempre)”. De fato essa tríplice faz sentido, e por isso a importância de a cada ano refletirmos e vivenciarmos este tempo litúrgico.
            Costumeiramente, dizemos que o Advento é um tempo de preparação para a chegada do Menino Deus, no canôn 522 do Catecismo da Igreja Católica nos diz:
522. A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda.
           
 E se fizermos um paralelo com a Cristologia da Igreja, que é: A Cruz, A Eucaristia e A Encarnação; todos eles precedem de uma preparação. Notem que pra Cristo chegar até a Cruz ele passa por toda a Paixão, na Eucaristia ele prepara-se através do Lava Pés e na Encarnação há a preparação da Anunciação e da escolha e SIM de Maria.
            Quantas vezes em celebrações eucarísticas cantamos: “Vigiai, vigiai, eu vos digo, não sabeis qual o dia ou a hora. Vigiai, vigiai, eu repito: eis que vem o Senhor em sua glória”. Leonardo Boff faz uma consideração interessante e questionador a cada um de nós: “É verdade que Deus veio de forma definitiva para dentro de nossa pequenez, mas, apesar disso, Ele é sempre aquele que ainda deve vir e continua chegando para cada um e para todo o mundo”. Se Ele ainda estar por vir a o encontro de cada um de nós, como está sendo nossa preparação?
            Participando do Santo Sacrifício na Comunidade São João, da Paroquia de Nossa Senhora do Rosário (Recife – Várzea), em sua reflexão do 33º Domingo do Tempo Comum, Pe. José Luiz, SCJ; questionou a assembleia fazendo-nos refletir: “Estou com Deus sempre?”, lógico que não pois somos pecadores, e pelo pecado nos afastamos Dele. Porém, Deus sempre está conosco, por isso do significado do seu Nome, Emanoel, Deus conosco!
            Sendo assim, vamos nos preparar para a chegada do Rei e Salvador, Jesus! Para nós, advento significa então: esperar e preparar-se para aquilo que se revelou em Cristo se revele também em nós (Leonardo Boff).


Antônio José Tenório da Silva
Secretário de Formação da Fraternidade Luz Clara – Bom Conselho – PE
 (Regional NE - B1 PE/AL)

Referências
Catecismo da Igreja Católica. SEGUNDA SECÇÃO - A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ-CAPÍTULO SEGUNDO- PARÁGRAFO 3 – CANÔN 522. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap2_422-682_po.html.
Leonardo Boff. Advendo de nós mesmos. Disponível em: http://www.franciscanos.org.br/?p=5861.
Frei Régis Daher. Advento – Liturgia e Espiritualidade. Disponível em: http://www.franciscanos.org.br/?p=28311.






Nascida na Hungria e desde a infância prometida em casamento a Luís IV, duque hereditário da Turíngia, Isabel tinha hábitos em que a santidade já lhe parecia próxima. Costumava, ainda sem saber ler, folhear o livro dos salmos, durante as brincadeiras conseguia levar as outras meninas à capela, e quando as portas estavam fechadas, as beijava, pois sabia que ali Deus repousava.
Sua vida sofrida começara bem cedo, quando com menos de dez anos perdera sua mãe. Foi perseguida e maltratada pela família de seu futuro esposo, por entenderem que, assim simples e bondosa, ela não seria a companheira viável para Luís IV, ainda assim aos 13 anos se casa com ele e passa a ser perseguida, portanto, também dentro do palácio.
Seu esposo, um homem religioso e de bom coração, foi sempre seu protetor contra as agressões que Isabel recebia de seus dois cunhados e de sua sogra, que sentia enorme ciúme do amor de seu filho.
Essa jovem mulher, piedosa e caridosa, sabia fazer muito bem o uso da riqueza de seu marido. Era generosa com as esmolas aos pobres, carinhosa com os doentes, distribuía alimentos, ações que sempre irritaram profundamente seus cunhados. Construiu três hospitais e manicômios para os pobres. Transformou sua casa num templo de caridade, aos que não conseguiam subir as escadas, ela ia até eles para cuidar de suas fraquezas. Certa vez, no auge de sua compaixão, deu ao leproso que te pedia esmola, sua cama, lençóis e cuidados. Atitude que causou grande espanto dos integrantes do palácio que chamaram imediatamente o Duque Luís IV, afim de que ele repudiasse tamanha ousadia de sua esposa, mas ao chegar em seu quarto e levantar os lençóis, Luís ver Jesus Cristo, que se deixa contemplar por alguns instantes.
Mas seu casamento, logo foi interrompido. Isabel se torna viúva aos 20 anos e no mesmo dia da morte de seu esposo e protetor, ela é expulsa do palácio com seus três filhos, numa noite fria. Ninguém daquela cidade podia te dar abrigo, agasalhos ou alimentos, pois seus cunhados ordenaram que ninguém estava permitido a te ajudar prometidos de serias punições. Ainda assim recebeu de algumas pessoas misericordiosas abrigo em um chiqueiro, onde ela e seus filhos, se aqueceram. Receberam ali, também, uma aparição de Jesus Cristo. Foi até um convento franciscano, não para pedir abrigo, mas para pedir-lhes que cantassem em intenção de agradecimento pelo seu sofrimento.
Depois de voltar ao palácio e ter seus direitos e de seus filhos reconhecidos, com a mesma vontade e sem preocupar-se com a opinião alheia continua a cuidar dos pobres, enquanto é construído, com seus bens, um convento franciscano em Marburgo. Depois de pronto, confia a seus dois filhos mais velhos a vida na corte e como Franciscana Secular, que já havia se tornado, vai morar nesse convento, onde vive até o fim de seus dias, cujo não foram longos.
Era muito cuidadosa e criteriosa, aconselhava aos pobres que trabalhassem, preferia distribuir alimentos diariamente a dar uma quantia mensalmente, já que sabia que eles não saberiam administrar. Vivia em imensa sintonia com Deus, três dias antes de sua morte, o Senhor veio te revelar quando a levaria par o céu, depois dessa visão, uma grande luz fincou em seu rosto, que era quase impossível fixar o olhar. E aos 24 anos ela, morre.
Sete anos após a sua morte, em Perusa, onde São Francisco foi canonizado, Santa Isabel da Hungria é também canonizada pelo Papa Gregório IX, e logo mais declarada como Padroeira da Ordem Franciscana Secular.
Piedade, pureza e justiça. Santa Isabel Da Hungria, rogai por nós!



Steffane Mendonça

Formadora Regional- Sergipe  
CHAMADOS PARA RESTAURAR A CASA COMUM

 

AMBIENTAÇÃO

Providenciar que o encontro seja realizado ao ar livre, embaixo de uma árvore, às margens de um rio ou em um campo gramado (de acordo com a realidade da fraternidade). Preparar o ambiente com o desenho ou figura do mapa do Brasil, ao centro, o Crucifixo de São Damião acima do mapa, e ao redor colocar símbolos ou gravuras que recordem a Criação, a missão e fotos de missionários/as que deram a vida pela vida. Ex: Ir. Dorothy Stang, Chico Mendes e Raimundo Santos (ambientalista que cuidava da Reserva do Gurupi em Bom Jardim). Proporcionando a reflexão sobre a necessidade de cuidar da Casa Comum.

ACOLHIDA

Neste mês de outubro somos convidados a sair do nosso “conforto” para sermos discípulos missionários, levando a mensagem da ternura de Deus em todos os cantos da Terra. Em sintonia com as reflexões da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, queremos com este encontro refletir sobre a preocupação com a ecologia e a exploração da Terra, pois enquanto cristãos jufristas, temos a missão de colaborar com um mundo melhor e sermos jardineiros de um jardim que reflete a harmonia desejada por Deus.

ORAÇÃO INICIAL

Iniciar rezando e cantando o Pai-Nosso dos Mártires, disponível em:
Em seguida ler todos juntos a Oração:
Senhor Deus, infunde a Tua misericórdia sobre cada um de nós, e dá-nos o dom de cuidar uns dos outros. Ensina-nos a ser uma igreja missionária, Jesus, para assim cuidarmos da Casa Comum com responsabilidade. Pedimos também a intercessão da Virgem Santíssima para sermos discípulos missionários na construção de um mundo mais justo. Amém.


DINAMIZANDO O TEMA

Sugerimos a realização da dinâmica abaixo, mas a fraternidade é livre para aplicar outra dinâmica que julgar conveniente com o tema proposto.
Incomodando-se com os problemas de nossa Casa Comum
Objetivo: Promover uma reflexão através dos problemas sociais e ambientais que mais despertam a atenção dos jovens.
Desenvolvimento: Dividir os participantes em grupos, de acordo com a quantidade de participantes. Cada grupo ficará responsável por desenhar uma parte do boneco: cabeça, tronco, braços, mãos, pernas e pés, e terá duas ou mais perguntas para responder.
Para que os grupos tenham uma visão geral da dinâmica, é importante que se leia todas as perguntas antes de iniciar o trabalho.
a) Cabeça: Qual a realidade ambiental que vemos? O que escutamos da sociedade sobre a preservação da nossa Casa Comum?
b) Tronco: O que sentimos sobre a degradação ambiental? O que sentimos sobre o papel do estudante na preservação da nossa Casa Comum?
c) Braços: Até onde podemos alcançar com nossa ação? Com quem (pessoas, entidades etc.) podemos andar de braços dados na preservação da nossa Casa Comum?
d) Mãos: Quais os compromissos que podemos firmar, enquanto jufristas, na preservação da biodiversidade? Quais as ferramentas que temos disponíveis na fraternidade para divulgar nossas ideias?
e) Pernas: Que caminhos queremos tomar no desenvolvimento de ações de preservação da nossa Casa Comum? Qual o suporte (pessoas, materiais, finanças etc.) que temos para desenvolver uma ação?
f) Pés: Que ações podemos realizar envolvendo nossa fraternidade na preservação da Casa Comum? Que resultado desejamos com nossa ação?


LEITURA BÍBLICA

Romanos 8:19-22
Após a leitura bíblica propor ao grupo o debate diante da seguinte pergunta reflexiva:
- Qual a relação entre a fé cristã e o cuidado com a vida das pessoas e do meio ambiente, a exemplo do que fez Irmã Dorothy, no Pará?
Após o debate dos irmãos, concluir com a mensagem abaixo e o canto um novo dia:
Viver religiosamente é voltar-se para as necessidades do próximo, principalmente daqueles e daquelas que mais necessitam de ajuda. Nisso, Irmã Dorothy Stang é um exemplo. Quem praticar gestos de misericórdia se tornará “luz que brilha nas trevas” (Is 58,9-10). Viverá a verdadeira religião.
Canto: Irá chegar um novo dia


ORAÇÃO FINAL

Onipotente Senhor, que criaste o mundo e o confiaste aos seres humanos, louvado sejas. Ilumina-nos com Teu Espírito para que, como Igreja missionária de Jesus, cuidemos da Casa Comum com responsabilidade e pedimos que a Virgem Maria, Mãe Protetora, que nos inspire nessa missão de proteção a cada vida, e implantação de um reino de justiça, paz, amor e fraternidade para todos. Amém.


SOBRE A IRMÃ DOROTHY


“Tenho de gritar, tenho de arriscar, ai de mim se não o faço. Como escapar de ti? Como calar, se tua voz arde em meu peito?”

A Irmã Dorothy Stang nasceu nos Estados Unidos em 1931. Era naturalizada brasileira. Pertencia à congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Namur. Após trabalhar vários anos em seu país como professora, veio para o Brasil em 1966. Residia em Anapu, no Pará, a 500 Km de Belém. Anapu é uma pequena cidade cortada ao meio pela rodovia Transamazônica. O seu trabalho pastoral era a catequese e a formação de Comunidades cristãs. O zelo da Irmã Dorothy a levava a atuar em várias cidades e vilarejos rurais da região do Xingu, formando filhos e filhas de Deus.
Ela buscava também a geração de emprego e renda, com projetos de reflorestamento em áreas degradadas. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários existentes na região.
Atuou em várias pastorais sociais do Pará, principalmente na Comissão Pastoral da Terra. Devido ao seu trabalho junto aos agricultores, ganhou vários prêmios a nível nacional e internacional. Participava ativamente na luta dos trabalhadores do campo contra a grilagem e a devastação da floresta. Ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica.
Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada, declarou: “Não vou fugir nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor, numa terra onde possam viver e produzir com dignidade, sem devastar”.
A Irmã Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros, dia 12/02/2005, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 km da sede do município de Anapu. Tinha 73 anos de idade. Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos, ao ser indagada pelo próprio assassino se estava armada, ela respondeu que sim e mostrou-lhe sua arma: a Bíblia. O fazendeiro Vitalmiro Moura, acusado de ser o mandante do crime, foi condenado a 30 anos de prisão.


SOBRE CHICO MENDES


‘‘ No começo, pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras. Depois, pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade. Chico Mendes ’’

Chico Mendes nasceu em Xapuri, no Acre, em 1944. Herdou do pai, Francisco Mendes, a profissão de seringueiro e começou a trabalhar com a família aos 9 anos. Sem escolas na região, aprendeu a ler em jornais, com 19 anos. Percebendo a condição de vida dos trabalhadores que dependiam da Floresta Amazônica e o avanço do desmatamento, tornou-se líder de resistência pacífica em defesa dos seringueiros e demais extrativistas. Sua luta como sindicalista começou em 1975, quando assumiu a secretaria geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Basileia, no Acre.
Criou, pouco tempo depois, o Conselho Nacional dos Seringueiros, organização não governamental de defesa às condições de vida e trabalho das comunidades que dependiam diretamente da floresta.
Em 1985, quando liderou o Encontro Nacional dos Seringueiros, propôs a “União dos Povos da Floresta”, projeto que pretendia unir os interesses dos índios e seringueiros, a partir da criação de reservas extrativistas e da garantia de reforma agrária. Com discurso contrário à posse de terras por grandes proprietários e ao desmatamento, Mendes ganhou uma lista de inimigos e foi acusado de “prejudicar o progresso do Estado do Acre” por alguns políticos e fazendeiros. Mesmo assim, passou a mobilizar os seringueiros por uma luta não violenta. A organização de barricadas humanas para impedir a derrubada de árvores, conhecidas como “empates”, ganharam visibilidade dentro e fora do país.
No final dos anos 80, as ameaças de morte por donos de madeireiras, de seringais e de fazendas de gado tornaram-se comuns. A desapropriação do Seringal Cachoeira, de Darly Alves, custou-lhe, no entanto, a vida. Em 1988, Chico Mendes foi assassinado no quintal de sua casa, em Xapuri, com um tiro no peito. Dois anos depois de sua morte, Darly e seu filho, Darci Alves, foram julgados pelo crime e condenados a 19 anos de prisão – que cumpriram até 2010. Em dezembro de 2013, 25 anos após seu assassinato, Chico Mendes foi declarado Patrono Nacional do Meio Ambiente.

Por Daiane Késia
Formadora Regional NE A1 (MA)






Aloysio Reynato Beiler – Formador Regional Sudeste 2 JUFRA


Queridos irmãos e irmãs,
Em 12 de outubro de 2017, a Igreja Católica, especialmente no Brasil, celebrará os 300 anos do encontro da imagem da Virgem Maria nas águas do Rio Paraíba do Sul, junto à cidade de Guaratinguetá. Atualmente, a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, mantida pelos missionários redentoristas em Aparecida (SP), é um dos maiores templos católicos do mundo, e que recebe milhares de fiéis a cada ano, popularmente chamados de “romeiros” (assim chamados por se organizarem em “romarias” para venerar Maria, muitas vezes a cavalo).
Mas uma história tão linda e grandiosa começou, como não poderia deixar de ser, de forma discretíssima: a pequena imagem de terracota da Virgem de Aparecida foi encontrada por três humildes pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves, que a localizaram durante uma pescaria próximo ao Porto de Itaguaçu. Só que, logo em seguida, os pescadores lançaram novamente as redes e apanharam inúmeros peixes, um acontecimento extraordinário, pois não haviam conseguido nada durante toda a noite. É de se notar que tal milagre em muito se assemelha à pesca milagrosa retratada no Evangelho (Lc 5:5-10).  
Maria, que é mãe de Jesus Cristo Deus e Homem - e este é um dos mais extraordinários mistérios de nossa fé! – nos dirige seu olhar misericordioso todos os dias. A Virgem Aparecida representa perfeitamente o fato de que a Mãe de Deus, embora discreta por natureza e “aparecendo” pouquíssimas vezes no Evangelho, conduz-nos silenciosa e amorosamente à glória do Deus.
Ora, não deve ser mera coincidência o fato que, embora Ela seja a medianeira de todas as graças, Maria sempre opte por se revelar de um jeito tão discreto para a humanidade. Foi assim em Fátima, quando se dirigiu inicialmente a apenas três pequenos pastores (crianças); em Lourdes, quando optou por abordar apenas Bernardette, uma menina de apenas 14 anos, e em tantos outros lugares. Que forma mais discreta e bela idealizada pela Divina Providência para despontar a Virgem: em Aparecida (SP), achada em meio às águas de um rio, num dia de pescaria fraca!
Maria é a rainha do céu, onde está sentada ao lado de Deus, mas também é a rainha do amor discreto e prudente. Ora, com essas características, é perfeitamente natural que nosso Pai Francisco de Assis lhe dirigisse a mais tenra e ardorosa devoção. Se não há como ser um verdadeiro católico e alcançar a graça sem a intercessão da Virgem, mais impossível será alguém integrar a família franciscana (especialmente, nós, da JUFRA) sem se escudar em sua Materna Proteção!
Não é uma simples imitação ou coincidência do destino: as características que Francisco mais prezava nos irmãos e que mais batalhava para levar à humanidade são rigorosamente as mesmas características da Virgem Maria. Por isso o nosso tau e o cíngulo que envolve a cintura dos irmãos frades da Ordem Primeira têm três nós: representa-se a obediência, pobreza e castidade (pureza de coração).
Ora, Francisco, homem mariano por excelência, sabia que ninguém poderia se vangloriar (embora é claro que Ela jamais se vangloriasse de nada) de ser mais humilde do que a Virgem Maria. Ela praticamente não fala ou aparece nos textos da Bíblia.
Quem, além da Mãe de Deus, foi tão pobre, dando à luz seu Sagrado Filho, o próprio Filho de Deus, numa manjedoura (Lc 2:7)?
Qual coração foi mais puro do que da jovem Maria, que assim se manteve por toda a vida? Maria é virgem, ensina-nos o Catecismo, porque a virgindade é nela o sinal da sua fé, sem a mais leve sombra de dúvida e da sua entrega sem reservas à vontade de Deus. É graças à sua fé que ela vem a ser a Mãe do Salvador: Beatior est Maria percipiendo fïdem Christi quam concipiendo carnem Christi – Maria é mais feliz por receber a fé de Cristo do que por conceber a carne de Cristo”. (cf. Catecismo da Igreja Católica, § 506).
Dizer que Francisco era “devoto” da Mãe de Deus, com todo o respeito, é enxergar com pouca nitidez (1) o que ele pensava sobre Maria e (2) como a Ela acorria em suas dificulades. Séculos antes de São Luís Maria Grignion de Montfort escrever “o espírito desta devoção (a Maria) é tornar a alma interiormente dependente e escrava da Santíssima Virgem e de Jesus por meio dela" (MONTFORT, São Luís Maria Grignion. O segredo de Maria. Item 44), Francisco já vivia assim e ensinava a seus seguidores atender a tal conselho.
A Virgem Maria, em todas as suas manifestações (mas especialmente a Virgem Aparecida, padroeira do Brasil), é Mãe da família franciscana e da JUFRA. Nós, católicos brasileiros, devemos o privilégio extraordinário de poder louvar de perto a Mãe Aparecida, na linda Basílica, e poder murmurar e rezar com devoção e amor assim como Francisco fazia: “Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima, Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja, eleita pelo santíssimo Pai celestial, que vos consagrou por seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito!” (cf. Saudação à Mãe de Deus).
Que nesses 300 anos, possa a Santíssima Mãe de Deus, o mais seguro e perfeito caminho rumo ao Cèu, acompanhar e guiar nossa caminhada franciscana, amparando-nos nas nossas fraquezas, consolando nas doenças e guiando em todos os caminhos nessa vida.
Paz e Bem!